quarta-feira, 23 de abril de 2014

133 servidores ganham mais que vereadores em Curitiba


  por Fernando Tupan
Paulo Salamuni
Paulo Salamuni
Revelações marcaram o retorno das sessões ao Palácio Rio Branco. O presidente Paulo Salamuni (PV) revelou que 133 servidores da Câmara Municipal de Curitiba ganham mais que vereadores, dando entender que o início de um banco de horas era boa iniciativa para os funcionários da casa legislativa. A fala do parlamentar deve provocar uma revisão no acesso funcional. O 1º secretário, Ailton Araújo (PSC), para reforçar a fala de Salamuni desceu para conversar com parlamentares nas bancadas e apresentou dados dos levantementos. Alguns parlamentares se mostraram descontentes com a descoberta e acreditam que mudanças são necessárias. A Mesa Executiva não esclareceu o número de servidores que entraram na casa nos últimos anos e que ganham menos de R$ 3 mil.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Vereadores adiam votação sobre banco de horas na Câmara


Os vereadores da Câmara de Curitiba resolveram adiar, nesta terça-feira (22), por cinco sessões, a votação do projeto de resolução que atribui à Comissão Executiva a publicação de portarias para regular a gestão do Legislativo (004.00003.2013). O motivo do adiamento, segundo recomendou o 1º secretário da Câmara, vereador Ailton Araújo (PSC), é para “corrigir alguns itens da proposição”.

De acordo com a proposta discutida, fica permitido à Executiva estabelecer o funcionamento do Legislativo durante os períodos de recesso parlamentar e sobre a concessão de suspensão de licença-prêmio e férias. Quanto aos funcionários efetivos da Câmara, a norma possibilita a adaptação da carga horária de servidores com jornada menor de 40 horas semanais, além de ponto biométrico e implantação de banco de horas, mediante acordo ou convenção coletiva com o Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal de Curitiba. (ouça entrevista com o vereador Ailton Araújo)

Durante o debate, Professor Galdino (PSDB) afirmou que a proposta acaba por “retirar as conquistas históricas dos trabalhadores”, referindo-se à criação de um banco de horas, em vez do pagamento de horas extras. A afirmação foi rebatida pelo 2º secretário, Serginho do Posto (PSDB), que declarou ser o banco de horas uma necessidade em se adequar à jornada do servidor que permanece no trabalho em períodos prolongados. “Não estamos tirando nenhum direito dos trabalhadores, apenas adequando a gestão da Casa”, declarou.

Em sua fala, o presidente do Legislativo, Paulo Salamuni (PV), defendeu a iniciativa da Comissão Executiva em atender às recomendações feitas pelo Ministério Público do Paraná. “Hoje já existe na Câmara um regime de compensação das horas extras trabalhadas, mas ainda não regulamentado. Queremos organizar o funcionamento do Legislativo por meio das adaptações legais necessárias”, acrescentou.

Horas extras

De acordo com a diretora de Administração e Recursos Humanos da Câmara Municipal, Ana Claudia dos Santos, o Legislativo já aplica o sistema de banco de horas, embora ainda que informalmente. Ela disse que a regulamentação é necessária para estabelecer os critérios que determinam qual o limite da execução dessas horas, quem pode e em quais circunstâncias o servidor deverá trabalhar além de sua jornada normal.

“A resolução vem hoje garantir mais transparência à administração pública, proporcionando mais segurança tanto para a Câmara quanto ao servidor público”, acrescentou. Compõem a Comissão Executiva os vereadores Ailton Araújo, Serginho do Posto e Paulo Salamuni.

Também participaram do debate os vereadores Aldemir Manfron (PP), Bruno Pessuti (PSC), Chicarelli (PSDC), Jorge Bernardi (PDT), Pedro Paulo e Professora Josete, ambos do do PT, Sabino Picolo (DEM), Tico Kuzma (PROS) e Valdemir Soares (PRB).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Uso da Tribuna Livre em comemoração aos 2 anos do SindiCâmara

No dia 14 de abril de 2014, às 9:30, o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Paulo Salamuni, interrompeu a Sessão Ordinária e concedeu o uso da Tribuna Livre, para a presidente do SindiCâmara Curitiba, Magali Antunes, que falou em comemoração aos 2 anos de fundação do sindicato, que será comemorado dia 19 de abril.

Bem, primeiro quero me apresentar. sou economista e jornalista e estou nesta casa desde julho de 79. Tive a oportunidade de passar por diversos setores, inclusive gabinete de vereador. Como, também, de fazer projetos que foram assinados por vereadores e viraram leis. A exemplo do zona azul que aqui em Curitiba, foi apresentado pelo ex-vereador Jeferson Vanderley , e denominado de ESTAR, o estacionamento regulamentado. Também, com o apoio do ex-vereador Jeferson Vanderley criamos o CPD, hoje Informática, deste legislativo. Na época, o vereador Tito Zeglin, se não me falha a memória era o primeiro vice-presidente e sua ajuda foi fundamental para tornar realidade o projeto.

Outro projeto importante, que contou com o apoio da Sociedade Protetora dos Animais, foi o que acabou com as rinhas de galo e a matança de pombos na cidade, projeto este apresentado pelo vereador Ailton Araujo, no seu primeiro mandato.

Nesta gestão, passei para o Moacir, assessor do vereador Jorge Bernardi, o projeto que cria o Memorial da Câmara e para o vereador Tiago o que cria a Câmara Mirim, este apresentado, também, pelo ex-vereador Gilso de Freitas. Projetos, na minha visão, importantes para a cidade. O primeiro por possibilitar a sociedade conhecer a história da Casa e o segundo por desenvolver o sentimento de cidadania nas crianças. Enfim, quem sabe um dia eles virem, também, realidade.

Fui a primeira mulher eleita pelos servidores como presidente da Associação dos Servidores da Câmara Municipal que desde sua fundação, em 1956, era dirigida por homens. Com o apoio da diretoria e conselho da época, conseguimos pagar a divida deixada de mais de cem mil reais, resgatando o crédito da ASCMC junto aos clientes e associados. Assim conseguimos fechar um contrato com a Caixa Econômica Federal que vigora até hoje. A vinda da Caixa proporcionou a queda dos juros do empréstimo consignado.

Entregamos a associação para a colega Consuelo Cardoso com noventa mil reais no caixa.

Muitos vão dizer que não precisava ser dito o que falei. É normal. Mas, na verdade só quis mostrar que quando vereadores e servidores são parceiros quem ganha é a cidade. Na melhoria da qualidade de vida. E, este é o lucro dos legislativos e que deveria ser perseguido pela administração pública.

Não temos mais essa parceria, e os servidores, especialmente, os quem tem mais de 20 anos de serviços prestados a esta casa foram colocados no banco de reserva. A experiência e o conhecimento adquiridos ao longo do tempo não serve para mais nada. Hoje, esses servidores contam os dias que faltam para a aposentadoria. E, depois de mais de trinta nos de serviços saímos daqui como se nunca estivéssemos estado. E, se não houver uma mudança de mentalidade, de cultura, acreditamos que vai acontecer o mesmo com os servidores que chegaram agora.
Somos servidores concursados, independentemente de antigos ou novos. Merecemos respeito e valorização.

Hoje, estou presidente do Sindicato dos Servidores desta Câmara. Que foi fundado em 19 de abril de 2012. Depois de alguns contratempos, inclusive na justiça. Portanto, completamos no dia 19 de abril próximo 2 anos de existência.

Foi pensando na quebra desse paradigma. Para deixar um legado de valorização aos nossos colegas que chegaram agora e vão continuar a nossa história. Com respeito profissional. É que nasceu o Sindicâmara. Nós queremos ser ouvidos no que nos diz respeito. Tenham certeza que não vamos pedir o que não nos cabe por direito.

Contamos com o apoio da Fenalegis - federação nacional dos servidores dos legislativos e tribunais de contas municipais. Da qual indicamos o nosso colega Robson para fazer parte do Conselho de Representantes, na vaga cedida pelo presidente do sindicato dos servidores da Câmara municipal de Porto Alegre, Renato Guimarães.

A missão do sindicato é buscar a valorização dos servidores,tanto efetivos quanto comissionados através da capacitação profissional. Pois, os comissionados também fazem parte do quadro funcional deste Legislativo. Temos os mesmos direitos e deveres.

Campanhas serão empreendidas pela nossa federação em prol dos servidores  efetivos e comissionados. Como a de estabelecera data base para os servidores dos legislativos municipais brasileiros separada da do Executivo, muitas câmaras já fazem isso.

A Fenalegis conta com o apoio da FENALE ( Federação nacional dos servidores do legislativos estaduais) formada por 27 assembleias legislativas. E da FENASTC ( federação nacional dos servidores dos tribunais de contas). Ainda, com o apoio Sindilegis do Distrito federal que engloba o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União.

O Sindicâmara conta com o apoio da Fenalegis para a busca das perdas salariais em função da transformação da moeda, URV. Foi num congresso da Fenalegis, em São Paulo, que conhecemos os nossos advogados Ana Piucco e Sérgio Cezimbra, apresentados pelo Renato Guimarães, presidente do Sindicâmara de Porto Alegre.

Os advogados são sócios de um escritório especializado em direito público. E prestam serviços para o sindicato da câmara de Porto Alegre há mais de dez anos. E o escritório parceiro da Fenalegis.

Nós, do Sindicâmara fechamos parceria com o escritório para cuidar das demandas dos nossos filiados. Como é o caso da URV. Que até então ninguém sabia que vereador e comissionado tinham, também, o direito ao ressarcimento.

Infelizmente, apesar de trazer todos os acordos feitos por outros órgãos e todos os julgados do Supremo que determinou o pagamento das perdas salariais não conseguimos fechar um acordo administrativo. Mesmo provando a perda e abrindo mão de boa parte do que temos direito e aceitando o parcelamento em até 3 anos.

Em tese, até consigo entender a posição da Mesa Executiva. Que esta preservando a imagem acima do direito. Pois, entendo que a segurança jurídica o Supremo já deu. E nós provamos a perda através de cálculos periciais, feitos por perito oficial, nas fichas financeiras.

Mas, toda moeda tem dois lados. Até agora só esta sendo visto por um lado: o montante que os servidores tem para receber por direito. E que muitos acham um absurdo, e talvez até sejamos criticados pela mídia por estarmos buscando um direito. Mas, nós servidores não temos porque temer. É um direito, não um favor.

E, o outro lado da moeda que ninguém pensou: o montante que nos é devido por direito é exatamente o montante do enriquecimento ilícito da prefeitura. Pois, quando se subtrai salários de servidores. Quando não é feito o pagamento correto de fornecedores, a administração pública esta promovendo o seu enriquecimento ilícito. O acordo administrativo, que não foi aceito, significa que, quem arcará com o ônus do Processo Judicial será a Prefeitura de Curitiba, mesmo havendo sobre de verba na Câmara Municipal de Curitiba.

Temos muito que avançar ainda em prol dos servidores. E dos legislativos municipais. Queremos poder sentir orgulho ao dizer que somos servidores do Poder Legislativo. E não apenas servidores da câmara municipal. Mas, temos a consciência que ser um Poder Legislativo e não apenas uma câmara depende da vontade política dos senhores vereadores.

Formamos uma legião de 10 milhões de servidores nas 5.570 câmaras municipais brasileiras. Que unidos seremos forte na busca do fortalecimento dos legislativos. Que será muito bom para nós servidores, mas muito melhor para a sociedade para qual servimos.

Agora é a hora. Como dizia o grande pensador Stuart Mill, " no longo prazo estaremos todos mortos". E, terminando com os versos do meu poeta Fernando Pessoa, que tenho como lema: tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Muito obrigada.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Servidores cobram URV. Casa resiste

Servidores da Câmara Municipal de Curitiba ameaçam ir à Justiça caso a direção do Legislativo da Capital não aceite acordo para o pagamento de supostas perdas salariais relativas à conversão da moeda do cruzeiro para o Plano Real com a chamada URV (Unidade Relativa de Valor), nos anos 90. Essas perdas, segundo o sindicato da categoria (Sindicamara) chegariam a cerca de 19% retroativos a 1994, quando o plano foi implantado no governo Fernando Henrique Cardoso. Cerca de 400 servidores da Casa teriam direito à reposição, a um custo estimado em aproximadamente R$ 480 milhões.
O sindicato afirma que o direito a essa diferença salarial já teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, e que a categoria está disposta a um acordo para parcelar o pagamento em dois ou três anos. Segundo a presidente da entidade, Magali Antunes, o acordo seria mais vantajoso para o Legislativo, já que por ele, a categoria abriria mão de parte dessas perdas, baixando o porcentual de reposição para 11,98%, além de evitar gastos com honorários advocatícios. “Estamos à disposição para um acordo que seja bom para a instituição e para os servidores. Abriríamos mão de quase 50% do que teríamos direito. Se for para a Justiça vai ficar muito mais caro”, explica a dirigente.
Segundo ela, uma perícia técnica que analisou as fichas funcionais de 27 servidores já comprovou que eles têm direito ao benefício em função das perdas causadas pela transformação da moeda. E a própria direção da Câmara reconhece que a categoria tem direito ao pagamento. “Se o presidente da Casa (vereador Paulo Salamuni) achar que não pode pagar em função da repercussão, vamos entrar na Justiça”, alerta a sindicalista.
Representantes do sindicato se reuniram na semana passada com o presidente da Câmara, que pediu prazo para analisar juridicamente a questão. Ele já sinalizou, porém, que dificilmente fará um acordo sem que haja uma determinação da Justiça. “A questão parece pacífica. Outros poderes já pagaram. Ainda estou para dar uma resposta. Vou ouvir a procuradoria da Casa e a Mesa Executiva”, explica Salamuni. “Mas só faria algum tipo de acordo se tivesse absoluta segurança jurídica e uma radiografia do impacto financeiro, além de avaliar a repercussão social disso. Porque é um impacto muito grande”, avalia o vereador.